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MST – Jornalista

February 28th, 2010 mocho Leave a comment Go to comments

Do Correio da Manhã

Na sua estreia na SIC, no dia em que Rui Pedro Soares, ex – administrador da Portugal Telecom, interpôs uma providência cautelar ao semanário ‘Sol’, fez questão de frisar que não estávamos a passar por momentos de censura, ao contrário de outros jornalistas.

Eu já escrevi isso. Que apareça a primeira pessoa e ponha o dedo no ar a dizer ‘eu quis escrever isto e não me deixaram’.

Os casos de Manuela Moura Guedes e Mário Crespo não foram censura?

Você acha? Há um director de jornal que recusa publicar uma crónica e, no dia seguinte, o texto está no site do Instituto Sá Carneiro e, uma semana depois, editado em livro. Eu já vivi num país com censura, já conheci países com censura, e não me lembro de censura assim. E quando vejo a Manuela Moura Guedes ter direito a 20 minutos em directo do telejornal para dizer que há censura… Sinceramente, tomara a líder da oposição birmanesa.

Isso está a minar o jornalismo neste momento?

É um terreno muito perigoso e pantanoso. E as pessoas têm de ter consciência de que vão deslizar por ele abaixo. É como a questão da publicação de escutas telefónicas, que foram colhidas para um processo judicial e depois aparecem num processo jornalístico. Se um dia os jornais substituirem o julgamento dos tribunais será muito grave. Se aceitarmos que o interesse público está sempre à frente da reserva do direito à vida privada, como diz a Constituição, e que invocando o interesse público pode publicar-se as conversas privadas de alguém, o caminho é perigosíssimo. Até porque interessa responder a uma questão? Quem é que define o interesse público? Qualquer director de jornal? Ele é juiz em causa própria? Não escondendo o conteúdo das escutas, e questionei o primeiro-ministro sobre isso, a verdade é que, tanto quanto sei, o Rui Pedro Soares, o centro das escutas, nem sequer é arguido, nem suspeito de crime nenhum. É como uma conversa sua com alguém que era arguido ir parar ao jornal. Não aceito isso. Não aceito como método jornalístico, não aceito em termos de cidadania, de direitos…

Mas a sua crítica é ao facto de virem a lume conversas que estavam em segredo de justiça?

Isso é o ponto número 1. Ponto número 2 é como se faz um jornalismo com base nisso. No outro perguntavam-me o que faria se me tivessem enviado as escutas. Era muito simples. Pedia ao jornalista que investigasse. Não publicava assim. Agora, ter um amigo no Ministério Público ou na Polícia Judiciária que, à socapa, lhe manda o processo das escutas, isso não tem nada de investigação. Nada. Não venham cá falar do rigor jornalístico. Isso são balelas, tretas.

Quando terminou o ‘Jornal Nacional de 6.ª’, disse que era o fim do ‘jornal nacional de manipulação’…

E disse que era um atentado à liberdade. Nunca vi, em nenhuma televisão do Mundo, um jornal como aquele.

Considera que esteve demasiado tempo no ar?

Acho que nunca deveria ter estado no ar. Pense-se o que se pensar do actual primeiro-ministro, aquilo era um jornal para atacar uma pessoa concretamente. E às vezes perguntava por que não se fazia uma emissão contra o Paulo Portas ou a Manuela Ferreira Leite, outra contra o Jerónimo de Sousa ou o Louçã. Não há nada? Porque não investigam os submarinos ou os dinheiros da Festa do ‘Avante!’. Lembro-me de ter dito à [jornalista] Ana Leal: o que acontece ao vosso jornal no dia em que Sócrates for absolvido? Se a justiça chega ao fim e não apura nada. O jornal morre por falta de objecto. O caso Freeport dura há seis anos por uma única razão: porque ainda não conseguiram entalar o Sócrates. Se fosse o Zé dos anzóis já tinha sido arquivado. Acho inconcebível que um primeiro-ministro viva sob suspeita de corrupção durante seis anos e que os contribuintes estejam a pagar esta investigação. Nós não podemos ser governados por alguém que não sabemos se é corrupto ou não. O Ministério Público tem obrigação de, rapidamente, apurar aquilo. Ou tem indícios, ou não tem indícios. Agora, permitir que o primeiro-ministro seja queimado em lume brando na Imprensa enquanto eles arrastam o processo à pesca à linha, a ver se alguém morde o anzol, é inconcebível. Eu não quero ser julgado assim. Não quero ter um primeiro-ministro julgado assim

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